Para falar a verdade, a lista é imensa. Mas podemos ficar apenas no ridículo e descaradamente absurdo, como esses quatro, meus preferidos. Os títulos e subtítulos seriam, mais ou menos: 1) Caixões: Faça Você Mesmo, Para Gente e Animais de Estimação — Um Guia para Marceneiros Que Querem ser Enterrados em Seu Próprio Trabalho; 2) Para Colorir: O Grande Livro das Vaginas; 3) Diga Adeus à Depressão Contraindo o Ânus 100 Vezes ao Dia. Funciona ou é Conversa Fiada? 4) Como Sair Com uma Mulher Branca – Um Guia Prático para Homens Asiáticos.
Roubei esse vídeo de Ian Crouch, um blogueiro do velho e bom Book Bench. Dirigido por Daniel Mercadante and Will Hoffman, o filminho brinca com as associações de palavras por meio da sucessão de imagens — algumas são ditas, outras apenas sugeridas. Não pesquei tudo, mas adorei assistir ao bicho ouvindo a musiquinha.
Baseada, naturalmente, em Andy Warhol, a série é do jovem artista e ilustrador americano Jesse Lenz. A intenção, segundo ele, é fazer com que as pessoas percebam o que existe por trás das máscaras de celebridade de gente da pior qualidade — ditadores e políticos em geral. À esquerda e à direita, embora fique meio claro que Lenz não tem lá muitas simpatias pelos membros do Partido Democrata. Além do engajamento, contudo, sobra espaço para o humor, com a marilynização dos vilões e monstros de filmes de terror.
Na escola, aprendemos que a fotografia, então recém-inventada, foi decisiva para o impressionismo. Muito bem, mas eu mesmo não me lembro de ter visto muitos exemplos como os que seguem: pinturas “coladas” de uma foto — e melhoradas. No máximo, tinha visto uns Degas, acho. Mas não tenho certeza. Maior que a minha ignorância, talvez apenas o meu esquecimento – para não falar outra coisa.
De cima para baixo, na ordem: Toulouse-Lautrec, Paul Cézanne, Edgar Degas e Paul Gauguin.
Achei essas imagens do ótimo blog de ciência Fogonazos, do jornalista espanhol Antonio Martínez Ron.
As imagens deste post (clique nelas para ampliar) são exemplos do chamado Extending Album Art, que brinca de misturar as capas de velhos LPs com fotos, desenhos ou até mesmo outra capas. Se juntarmos as duas aí de cima dá para fazer uma boneca russa com Alicia Keys, The Doors e Nirvana.
A brincadeira é uma variação do Sleeveface, mais famoso, em que as capas são integradas a uma cena real. Quem quiser ver mais exemplos do Extending Album Art pode visitar o fórum do site B3TA (aqui), onde os participantes postam as coisas mais doidas desde 2007. É um fórum aberto – ou seja, nem tudo é bom. Ou fino.
A semana, que começou com procrastinação (aqui), termina com este Arte Poética, de Jorge Luis Borges, declamado pelo próprio. Entre um e outro, cinco dias e uma ideia sobre o tempo. A tradução na íntegra vai abaixo.
Mirar o rio feito de tempo e água
e recordar que o tempo é outro rio,
saber que nos perdemos como o rio
e que os rostos passam como a água.
Sentir que a vigília é um outro sonho
que sonha não sonhar, e que a morte
que teme nossa carne é essa morte
de cada noite, que se chama sonho.
Ver no dia ou no ano um símbolo
dos dias do homem e de seus anos,
converter o desrespeito dos anos
numa música, num rumor e um símbolo.
Ver na morte o sonho, no pôr-do-sol
um triste ouro, assim é a poesia
que é imortal e pobre. A poesia
volta como a aurora e o pôr-do-sol.
Às vezes numas tardes uma cara
nos mira lá do fundo de um espelho;
a arte deve ser como esse espelho
que nos revela nossa própria cara.
Contam que Ulisses, farto de prodígios,
chorou de amor ao divisar sua Ítaca
verde e humilde. A arte é essa Ítaca
de verde eternidade, não prodígios.
Também é como o rio interminável
que passa e fica e é cristal de um mesmo
Heráclito inconstante, que é o mesmo
e é outro, como o rio interminável.






























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